Regras de Inferência
A validade das 10 regras de inferência pode ser comprovada facilmente com o uso das tabelas-verdade. Com o auxílio destas formas elementares de argumentos podemos construir estruturas argumentativas muito complexas.
Modus Ponens (MP)
P → Q
P
Q
Se o antecedente de um condicional for verdadeiro, o seu consequente necessariamente é verdadeiro. Por esta razão, esta regra também é chamada de afirmação do antecedente. A validade desta regra é comprovada simplesmente observando a tabela verdade das proposições condicionais. Violações desta regra resultam nas falácias afirmação do consequente e negação do antecedente, onde a conclusão não segue necessariamente das premissas.
Modus Tollens (MT)
P → Q
~Q
~P
Ao contradizer o consequente, somos obrigados a contradizermos também o antecedente. Novamente isto pode ser verificado simplesmente olhando a tabela verdade das proposições condicionais. Esta regra é também chamada de contradição do consequente.
Silogismo Hipotético (SH)
P → Q
Q → R
P → R
A implicação possui a propriedade transitiva, isto é, se A implica B e B implica C, então A implica C através de B.
Silogismo Disjuntivo (SD)
P v Q
~Q
P
Se uma disjunção é verdadeira e uma das proposições componentes se revela falsa, então a outra proposição é necessariamente verdadeira.
Dilema Construtivo (DC)
(P → Q) ^ (R → S)
P ͮͮv R
Q v S
Dilemas são situações em que somos obrigados a aceitar uma de duas consequências que não são muito agradáveis. Deixando a agradabilidade de lado, esta regra de inferência se baseia na regra Modus Ponens. Tomando apenas a primeira parte da conjunção da primeira premisa, (p –> q), afirmamos p, e pela regra Modus ponens, somos obrigados a concluir q. Fazendo o mesmo procedimento com o outro lado da conjunção da primeira premissa, concluímos que s. Então o dilema consiste em que, ao afirmar p ou r, somos obrigados a concluir q ou s.
Dilema Destrutivo (DD)
(P → Q) ^ (R → S)
~Q v ~S
~P v ~R
É exatamente o oposto do Dilema Construtivo. Se baseia na regra Modus Tollens.
Absorção (ABS)
P → Q
P → (P ^ Q)
Dada uma condicional, pode-se deduzir dela uma condicional que tem como antecedente o mesmo antecedente da primeira e como consequente uma conjunção as duas proposições que figuravam na primeira condicional. Uma reflexão sobre a tabela verdade das condicionais é capaz de mostrar como esta inferência é válida.
Simplificação (SIMP)
P ^ Q
P
Em uma conjução verdadeira, pode-se concluir que cada um dos seus componentes é verdadeiro de forma independente. Muito simples.
Conjunção (CONJ)
P
Q
P ^ Q
Praticamente o inverso da regra anterior, se dois enunciados são verdadeiros independentemente, isso é condição suficiente para que juntos formem uma conjunção verdadeira.
Adição (AD)
P
P v Q
Dada uma proposição verdadeira, a partir dele pode-se deduzir uma disjunção verdadeira com qualquer outro enunciado que escolhermos. Isto tem ligação com a regra Silogismo Disjuntivo, pois se o enunciado que escolhermos, q, porventura for falso, em nada afetará a verdade da proposição p e da disjunção por elas formada.
Exemplo
Existem outras regras de inferência que serão apresentadas em outro artigo, agora, com as regras de inferência devidamente explicadas, podemos analisar o argumento do início do texto.
Se os 8 casos suspeitos de Nova York forem gripe suína, então o governo deverá tomar medidas efetivas para conter a disseminação da doença.
E se o governo deve tomar medidas para conter a disseminação da doença, então as escolas de NY serão fechadas.
(Quer dizer,) se os 8 casos suspeitos forem de gripe suína, então as escolas de NY serão fechadas.
Os suspeitos podem ter gripe Influenza do tipo A ou ter gripe suína.
(Foi descoberto que) a gripe dos suspeitos não é Influenza do tipo A.
Logo, as escolas de NY serão fechadas.
variáveis proposicionais:
P: os 8 casos suspeitos de Nova York são de gripe suína
Q: o governo deve tomar medidas efetivas para conter a disseminaçao da doença
R: as escolas de NY serão fechadas
S: os suspeitos podem ter gripe Influenza do tipo A
Tradução formal:
P → Q
Q → R
P → R
S ˅ P
~S
R
Primeira regra usada:
Silogismo Hipotético (SH)
P → Q
Q → R
P → R
Segunda regra usada:
Silogismo Disjuntivo (SD)
S v P
~S
P
Explicação: No argumento, a conclusão p do Silogismo Disjuntivo ficou subentendida. Daí, de repente, concluiu-se que r. A razão desta grande omissão, frequente na vida real, é que se a negação de s resulta em p, e, como visto no Silogismo Hipotético, p resulta em r, conclui-se definitivamente que a negação de s resulta em r.
A minha demonstração não foi devidamente formal, em favor da simplicidade, mas a prova formal não é muito diferente desta e não será discutida neste texto.
Continua em
PORRA, só 2 horas depois percebi q o blog é seu HAUEhaeuhue
Muito bom artigo, parabéns!