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Archive for junho \15\UTC 2008

Quine – Dois Dogmas do Empirismo [1]

junho 15, 2008 2 comentários

Traduzido de http://www.ditext.com/quine/quine.html

Dois Dogmas do Empirismo

Willar Van Orman Quine

O empirismo moderno foi na maior parte condicionado por dois dogmas. Um é a crença em alguma desunião fundamental entre os juízos que são analíticos, ou fundados em significados independentemente das questões de fato, e juízos que são sintéticos, ou baseados em fatos. O outro dogma é o reducionismo: a crença de que uma frase enunciativa é equivalente a alguma construção lógica sobre termos que se referem a experiência imediata. Ambos os dogmas, eu argumento, são nocivos. Um efeito de abandoná-los é, como veremos, um desaparecimento das supostas ligações entre a metafísica especulativa e a ciência natural. Outro efeito é um avanço em direção ao pragmatismo. Leia mais…

Categorias:Quine

Aristóteles – Refutações Sofísticas [1]

junho 15, 2008 2 comentários

Traduzido da versão em lingua inglesa de W. A. Pickard-Cambride
(http://etext.library.adelaide.edu.au/a/aristotle/sophistical/)

Refutações Sofísticas

Livro I

1

Nos permita agora discutir as refutações sofísticas, i.e. o que parecem ser refutações mas na realidade são falácias. Nós começaremos na ordem natural, com o primeiro.

Que alguns raciocínios são genuínos, enquanto outros parecem sê-lo mas não o são, é evidente. Isso acontece com argumentos, como também em toda parte, através de uma certa semelhança entre o genuíno e o simulacro. Fisicamente algumas pessoas estão em condição vigorosa, enquanto outras meramente parecem estar, desferindo golpes e fraudando a si mesmos como homens tribais fazem com suas vítimas destinadas ao sacrifício; e algumas pessoas são belas graças à sua beleza, enquanto outras parecem ser, pela ornamentação. Assim é, também, com coisas inanimadas; nesta caso, também, algumas são prata e outras ouro, enquanto outras não são e meramente aparentam tais qualidades aos nossos sentidos; e.g. coisas feitas de litargo e estanho parecem ser prata, enquanto aquelas feitas de metal amarelo parecem ouro. Da mesma forma raciocíno e refutação às vezes são genuínos, às vezes não, embora a inexperiência possa fazê-los parecer genuínos: apenas para pessoas inexperientes obter, como de fato é, uma visão distante destas coisas.

O raciocínio sustenta-se em um certo tipo de frases que envolvem necessariamente a asserção de algo além do que foi afirmado, através do que foi afirmado:
refutação é raciocíonio envolvendo o contraditório da conclusão dada. Alguns deles de fato não alcançam este objetivo, embora por várias razões pareçam alcançar; e destes o mais prolífico e comum domínio é o argumento que se ocupa apenas de nomes. É impossível em um debate ter as coisas reais discutidas: nós usamos seus nomes como símbolos em vez das próprias coisas; e portanto nós supomos que o que segue os nomes, segue as coisas também, justamente como as pessoas que calculam fazem suposições confiando em suas calculadoras. Mas os dois casos (nomes e coisas) não são iguais. Tanto os nomes como a soma total da fórmula são finitos, enquanto coisas são infinitas em número. Inevitavelmente, então, a mesma fórmula, e um nome particular, tem um número de significados. Desta forma, em cálculo, aqueles que não são habilidosos na manipulação de suas calculadoras são superados pelos especialistas, da mesma maneira que em argumentos aqueles que não conhecem bem a força dos nomes raciocinam incorretamente, tanto nos próprios discursos quanto na posição de ouvintes. Por esta razão, então, e sendo as outras mencionadas posteriormente, existem raciocínios e refutações que são aparentes mas não reais.

Para algumas pessoas é melhor parecer sábio, do que ser sábio sem aparentá-lo (A arte do sofista é a imagem de sabedoria sem a realidade, e o sofista é alguém que lucra através de uma sabedoria aparente porém irreal); para eles, então, é claramente essencial também parecer completar a tarefa de um homem sábio do que completá-la sem parecer sábio. Reduzir isto a um único ponto de contraste é a tarefa de alguém que sabe uma coisa, evita cometer falácias nos assuntos sobre os quais tem conhecimento e é capaz de mostrar o homem que as comete; nestas realizações um homem depende da faculdade de construir uma resposta, e o outro da segurança do argumento. Aqueles, então, que seriam sofistas estão presos ao estudo da classe de argumentos ditos a seguir: os que são vantajosos a eles: uma faculdade deste tipo fará um homem parecer sábio, e este é o propósito que eles têm em mente.

Claramente, então, existe uma classe de argumentos deste tipo, e é neste tipo de habilidade que miram aqueles que chamamos de sofistas. Nos permita agora continuar a discutir quantos tipos de argumentos sofísticos existem, e quantos em número são os elementos dos quais esta faculdade é composta, e quantas ramificações existem nesta questão; e os outros fatores que contribuem para esta arte.

aristóteles

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Falácia

Uma falácia é um argumento que, devido a um erro em suas relações internas ou em sua forma, se apresenta inválido como um todo.

Tipos de falácias

Em argumentos lógicos, falácias são formais ou informais. Por a validade de um argumento dedutivo depender da sua forma, uma falácia formal é um argumento dedutivo que tem uma forma inválida, e uma falácia informal é qualquer outro modo de raciocínio inválido em que o erro não está na forma do argumento.

Começando com Aristóteles, falácias informais tem sido classificadas em diversas categorias, dependendo da fonte do erro. Existem falácias de relevância, falácias envolvendo raciocínio causal, e falácias resultando de ambiguidades (ou equívocos). As formas mais comuns de falácias são notáveis em discursos políticos.

Reconhecer falácias em argumentos reais pode ser dificil já que argumentos são
muitas vezes estruturados usando padrões retóricos que obscurecem as conexões lógicas entre as asserções. Falácias podem também atingir as fraquezas emocionais ou intelectuais do interlocutor. Ter a capacidade de reconhecer falácias lógicas em argumentos reduz a chance de ser enganado por uma delas.

Uma abordagem diferente para entender e classificar falácias é oferecida pela teoria da argumentação; Nesta abordagem, um argumento é considerado como um protocolo interativo entre indivíduos que tem como objetivo resolver uma discordância. O protocolo é regulado por certas regras de interação, e violações dessas regras são falácias. Muitas falácias na lista abaixo são melhor compreendidas ao serem vistas desta maneira.

Argumentos falaciosos envolvem não apenas lógica formal, mas também causalidade. Outros envolvem truques psicológicos tais como relações de poder entre o emissor e interlocutor, apelos ao patriotismo e moralidade, apelos ao ego etc., para estabelecer premissas intermediárias necessárias para um argumento. De fato, falácias frequentemente residem em assunções ocultas ou premissas implicadas em argumentos que não são sempre óbvias à primeira vista.

Perceba que fornecer uma crítica a um argumento não tem relação com a verdade da conclusão. A conclusão poderia muito bem ser verdadeira, enquanto o argumento é inválido.

(continua…)

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O que é este blog:

junho 11, 2008 1 comentário

Inicio aqui uma compilação pessoal sobre falácias e lógica. O conteúdo será de minha autoria (com exceção das traduções) e qualquer interesse em utilização ou reprodução dos textos deve ser comunicado. O objetivo é o meu próprio aperfeiçoamento e estudo, mas acredito que os artigos publicados podem vir a ser úteis também a outros estudantes de filosofia e demais áreas.

Reconheço as enormes lacunas ainda presentes no blog, mas peço que tenham paciência, pois construir uma referência completa sobre um assunto tão extenso como a lógica é muito laborioso. Cada novo post traz em si horas de esforço!

Gostaria também de agradecer a Gary N. Curtis e seu trabalho no site fallacyfiles.org, que tanto me influenciou e muitas vezes serviu como fonte confiável de informações sobre este assunto tão interessante.

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