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II – Possuímos certos conhecimentos a priori e o próprio senso comum não os dispensa

A tarefa de Kant agora é distinguir efetivamente os conhecimentos a priori dos conhecimentos a posteriori e dar mais substância à definição de conhecimento a priori de forma que a existência de tal conhecimento seja provada.

Na busca de um critério de distinção entre um conhecimento puro e um empírico, podemos observar que a experiência nos mostra que um objeto é desta ou daquela maneira, mas não nos diz que tal objeto não poderia ser de outra maneira. Esta afirmação de Kant está ligada à noção de necessidade e significa que nada nos impede que imaginemos que as coisas poderiam ser de outra forma, sendo o “imaginar” compreendido como operações do entendimento.Ao analisar um coelho podemos perceber que seus olhos são vermelhos, mas, em nossa mente, é perfeitamente possível que seus olhos fossem azuis ou de qualquer outra cor que desejássemos. Ou contrariando as leis naturais, posso imaginar que ao pular de uma janela eu permaneça flutuando no ar e não caia. Isto é uma característica dos conhecimentos empíricos.

Por outro lado, se tivermos uma proposição que possui o caráter de necessidade em sua própria concepção, isto é, tem que ser daquela forma e de nenhuma outra, é um juízo a priori. E se, além disso, não derivar de um conhe-cimento desprovido de necessidade (empírico), então é absolutamente a priori. 

A diferença entre puro e empírico se torna mais forte quando percebemos que os conhecimentos empíricos nunca são rigorosos e absolutos, sendo qualquer universalidade apenas aparente, isto é, alcançada pela indução.
O conhecimento empírico possui uma generalidade apenas suposta e relativa, que é sustentada apenas enquanto não for encontrada uma exceção para o caso. Por passar de uma afirmação sobre a maior parte dos casos para uma afirmação sobre todos os casos, a universalidade empírica é apenas uma extensão arbitrária da verdade. Novamente em contraste, os conhecimentos a priori possuem uma universalidade necessária.

Os conhecimentos a priori, portanto, são caracterizados pela necessidade e universalidade. Kant justifica a existência dos princípios a priori apontando que eles são indispensáveis para a própria possibilidade da experiência, pois, onde se basearia a certeza da experiência se todas as suas regras fossem empíricas e contingentes?

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  1. junho 25, 2009 às 9:10 pm

    Sofista!
    Adorei teu blog! Muito bom!
    E sobre os conhecimentos a priori e empíricos, adorei teu resumo. Comecei a ler agora “Crítica da Razão Pura” e confesso que achei um pouco complicado pra entender.
    A partir do que tu escreveu, achei mais claro e as nuvens do desentendimento agora se afastam de minha mente…

    Um grande abraço!
    Thaís.

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