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Petitio Principii

Petitio Principii, Petição de Princípio, Argumento Circular, Begging the Question são os diversos nomes pelos quais esta falácia é conhecida.

A falácia Petitio Principii é uma falácia informal, e é um tipo de argumento em que a conclusão a ser provada é utilizada como premissa no mesmo argumento. Normalmente esta falácia passa despercebida por quem a comete, e é muito comum em qualquer tipo de discussão onde o interlocutor não sabe exatamente como defender o seu ponto de vista, está confuso ou é ingênuo o suficiente para formar suas crenças dessa forma. Por ser uma falácia informal, o erro não está em qualquer aspecto formal do argumento, isto é, geralmente, a forma da inferência não é inválida, mas a verdade da conclusão não é devidamente sustentada pelas premissas e o argumento pode ser enganador. De forma resumida, a falácia petitio principii leva a uma conclusão que já foi dita nas premissas; uma proposição não pode provar a si mesma.

Exemplo clássico:

João: Deus existe.
Pedro: Como tem certeza?
João: Porque está escrito na Bíblia.
Pedro: E como sabe que a Bíblia está dizendo a verdade?
João: Porque a Bíblia foi escrita por Deus.


Neste exemplo a falácia é óbvia, mas esta falácia pode estar embutida em argumentos muito mais complexos. É bom lembrar que a petição de princípio não acontece somente quando temos explicitamente a mesma frase repetida, há casos em que o conteúdo proposicional (significado) de uma premissa é o mesmo da conclusão, isto pode ser alcançado através de sinônimos ou manipulações gramaticais.

Um bom exemplo, cuja forma básica é frequentemente encontrada no dia-a-dia, foi apresentado pelo lógico Richard Whately:

Permitir a todos os homens total liberdade de expressão deve ser, absolutamente, vantajoso para o Estado; Já que é muito útil aos interesses da comunidade que cada indivíduo deva desfrutar de uma liberdade, perfeitamente ilimitada, para expressar seus sentimentos.


No fallacyfiles.org, Curtis discute um exemplo desta falácia dado por Hurley no livro A Concise Introduction to Logic. O que acontece no argumento é que a premissa “Todo aborto é um assassinato” está suprimida (o que configura o silogismo como um entimema):

“Assassinato é moralmente inocrreto.
Então, o aborto é moralmente incorreto.”

Assassinato é moralmente incorreto.
Todo aborto é um assassinato. (oculta)
Então, aborto é moralmente incorreto.


O argumento sem dúvida é válido, nem parece ser circular, já que a conclusão não está nas premissas… mas, então, onde estaria o petitio principii? A falácia ocorre pelo uso de uma “palavra carregada” (loaded word), “assassinato” não é moralmente neutra, e neste caso, a conotação pejorativa que vem como um adicional é usada de forma a forçar a conclusão e mascarar a falácia. Desta forma, a primeira premissa é desnecessária e o argumento pode ficar assim:

Todo aborto é um assassinato.
Então, aborto é moralmente incorreto.


Mas, Curtis nos alerta, “All murders are killings, but not all killings are murders”. Esta observação é fundamental para efetuarmos a próxima transformação no argumento. Nem todo ato de matar é um assassinato, quer dizer, quando uma pessoa mata em auto-defesa, um policial mata por puro dever, eles não podem ser chamados de assassinos. Resta então reformular a frase já que neste caso “assassinato” não está se referindo ao ato de matar em geral. Vamos então substituir o termo “assassinato” pelo seu verdadeiro significado:

Todo aborto mata imoralmente.
Então, aborto é moralmente incorreto.


O que mostra que o argumento é circular, um legítimo petitio principii.

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Categorias:Petitio Principii
  1. outubro 17, 2012 às 2:00 pm

    Muito esclarecedor. Obrigado!

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