Arquivo

Archive for the ‘Aristóteles’ Category

Aristóteles – Refutações Sofísticas [3]

Traduzido da versão em lingua inglesa de W. A. Pickard-Cambride
(http://etext.library.adelaide.edu.au/a/aristotle/sophistical/)

3

Primeiro devemos nos ater ao número de alvos pretendidos por aqueles que argumentam como competidores e rivais até a morte. Estes são cinco, a saber, refutação, falácia, paradoxo, solecismo, e o quinto, reduzir o oponente na discussão até que este balbucie – i.e. , forçá-lo a se repetir várias vezes: ou produzir a aparência de cada uma destas coisas sem compromisso com a realidade. Eles escolhem se é possível refutar plenamente o oponente, ou, em segundo lugar, mostrar que ele está cometendo alguma falácia, ou, em terceiro lugar, conduzi-lo a um paradoxo, ou, quarto, reduzi-lo ao solecismo, i.e. fazer o oponente, em consequência de um argumento, usar uma expressão não-gramatical; ou, como última opção, fazê-lo redundante.

Anúncios
Categorias:Aristóteles

Aristóteles – Refutações Sofísticas [2]

Traduzido da versão em lingua inglesa de W. A. Pickard-Cambride
(http://etext.library.adelaide.edu.au/a/aristotle/sophistical/)

2

Dos argumentos empregados no diálogo há quatro classes:

Argumentos Didáticos, Argumentos Dialéticos, Argumentos Examinacionais e Argumentos Contenciosos. Argumentos Didáticos são aqueles que raciocinam a partir dos princípios relativos a cada assunto e não das opiniões do locutor (o aprendiz deveria confiar nestas palavras). Argumentos Dialéticos são aqueles que raciocinam a partir de premissas comumente aceitas, contraditoriamente a uma tese dada. Argumentos Examinacionais são aqueles que raciocinam a partir de premissas que são aceitas pelo locutor e que qualquer um que pretenda adquirir conhecimento do assunto está comprometido a pensar através da maneira que o assunto foi definido. Argumentos Contenciosos são aqueles que raciocinam ou aparentam raciocinar para uma conclusão a partir de premissas que parecem ser comumente aceitas mas não o são. O tema, então, de argumentos demonstrativos foi discutido nos Analíticos, enquanto aquele dos argumentos dialéticos e argumentos examinacionais foi discutido em outro lugar.

Nos permita agora continuar o discurso sobre os argumentos usados em competições e concursos.

Categorias:Aristóteles

Aristóteles – Refutações Sofísticas [1]

junho 15, 2008 2 comentários

Traduzido da versão em lingua inglesa de W. A. Pickard-Cambride
(http://etext.library.adelaide.edu.au/a/aristotle/sophistical/)

Refutações Sofísticas

Livro I

1

Nos permita agora discutir as refutações sofísticas, i.e. o que parecem ser refutações mas na realidade são falácias. Nós começaremos na ordem natural, com o primeiro.

Que alguns raciocínios são genuínos, enquanto outros parecem sê-lo mas não o são, é evidente. Isso acontece com argumentos, como também em toda parte, através de uma certa semelhança entre o genuíno e o simulacro. Fisicamente algumas pessoas estão em condição vigorosa, enquanto outras meramente parecem estar, desferindo golpes e fraudando a si mesmos como homens tribais fazem com suas vítimas destinadas ao sacrifício; e algumas pessoas são belas graças à sua beleza, enquanto outras parecem ser, pela ornamentação. Assim é, também, com coisas inanimadas; nesta caso, também, algumas são prata e outras ouro, enquanto outras não são e meramente aparentam tais qualidades aos nossos sentidos; e.g. coisas feitas de litargo e estanho parecem ser prata, enquanto aquelas feitas de metal amarelo parecem ouro. Da mesma forma raciocíno e refutação às vezes são genuínos, às vezes não, embora a inexperiência possa fazê-los parecer genuínos: apenas para pessoas inexperientes obter, como de fato é, uma visão distante destas coisas.

O raciocínio sustenta-se em um certo tipo de frases que envolvem necessariamente a asserção de algo além do que foi afirmado, através do que foi afirmado:
refutação é raciocíonio envolvendo o contraditório da conclusão dada. Alguns deles de fato não alcançam este objetivo, embora por várias razões pareçam alcançar; e destes o mais prolífico e comum domínio é o argumento que se ocupa apenas de nomes. É impossível em um debate ter as coisas reais discutidas: nós usamos seus nomes como símbolos em vez das próprias coisas; e portanto nós supomos que o que segue os nomes, segue as coisas também, justamente como as pessoas que calculam fazem suposições confiando em suas calculadoras. Mas os dois casos (nomes e coisas) não são iguais. Tanto os nomes como a soma total da fórmula são finitos, enquanto coisas são infinitas em número. Inevitavelmente, então, a mesma fórmula, e um nome particular, tem um número de significados. Desta forma, em cálculo, aqueles que não são habilidosos na manipulação de suas calculadoras são superados pelos especialistas, da mesma maneira que em argumentos aqueles que não conhecem bem a força dos nomes raciocinam incorretamente, tanto nos próprios discursos quanto na posição de ouvintes. Por esta razão, então, e sendo as outras mencionadas posteriormente, existem raciocínios e refutações que são aparentes mas não reais.

Para algumas pessoas é melhor parecer sábio, do que ser sábio sem aparentá-lo (A arte do sofista é a imagem de sabedoria sem a realidade, e o sofista é alguém que lucra através de uma sabedoria aparente porém irreal); para eles, então, é claramente essencial também parecer completar a tarefa de um homem sábio do que completá-la sem parecer sábio. Reduzir isto a um único ponto de contraste é a tarefa de alguém que sabe uma coisa, evita cometer falácias nos assuntos sobre os quais tem conhecimento e é capaz de mostrar o homem que as comete; nestas realizações um homem depende da faculdade de construir uma resposta, e o outro da segurança do argumento. Aqueles, então, que seriam sofistas estão presos ao estudo da classe de argumentos ditos a seguir: os que são vantajosos a eles: uma faculdade deste tipo fará um homem parecer sábio, e este é o propósito que eles têm em mente.

Claramente, então, existe uma classe de argumentos deste tipo, e é neste tipo de habilidade que miram aqueles que chamamos de sofistas. Nos permita agora continuar a discutir quantos tipos de argumentos sofísticos existem, e quantos em número são os elementos dos quais esta faculdade é composta, e quantas ramificações existem nesta questão; e os outros fatores que contribuem para esta arte.

aristóteles

Categorias:Aristóteles